Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Lição de Vida

por mascatinha, em 20.10.05
"Um dia, durante uma conversa entre advogados, fizeram-me uma pergunta:
O que de mais importante você já fez na vida?
A resposta veio-me à cabeça na hora, mas não foi a que respondi pois as circunstâncias não eram apropriadas. No papel de advogado da indústria do espectáculo, sabia que os assistentes queriam escutar anedotas sobre o meu trabalho com as celebridades. Mas aqui vai a verdadeira, que surgiu das profundezas das minhas recordações:
O mais importante que já fiz na minha vida, ocorreu em 08 de Outubro de 1990. Comecei o dia jogando golfe com um ex-colega e amigo meu que há muito não via. Entre uma jogada e outra, conversávamos a respeito do que acontecia na vida de cada um. Ele me contava que sua esposa e ele acabavam de ter um bebé. Enquanto jogávamos chegou o pai do meu amigo que, consternado, lhe diz que seu bebé parou de respirar e que foi levado para o hospital com urgência. No mesmo instante, o meu amigo subiu no carro de seu pai e seguiu.
Por um momento fiquei onde estava, sem pensar nem mover-me, mas logo tratei de pensar no que deveria fazer: Seguir meu amigo ao hospital? A minha presença, disse a mim mesmo, não serviria de nada pois a criança certamente está sob cuidados de médicos, enfermeiras, e não havia que eu pudesse fazer para mudar a situação. Oferecer o meu apoio moral? Talvez, mas tanto ele quanto sua esposa vinham de famílias numerosas e sem dúvida estariam rodeados de amigos e familiares que lhes ofereceriam apoio e conforto necessários acontecesse o que acontecesse. A única coisa que eu faria indo até lá, era atrapalhar.
Decidi que mais tarde iria ver o meu amigo. Quando fui para o meu carro, percebi que o meu amigo havia deixado o seu carro, aberto com as chaves na ignição, estacionado junto as quadras de ténis. Decidi, então, fechar o carro e ir até o hospital entregar-lhe as chaves. Como imaginei, a sala de espera estava repleta de familiares que os consolavam. Entrei sem fazer ruído e fiquei junto a porta pensando o que deveria fazer. Não demorou muito e surgiu um médico que aproximou-se do casal e em voz baixa, comunica o falecimento do bebé.
Os instantes que ficaram abraçados a mim pareceu uma eternidade, choravam enquanto todos os demais ficaram ao redor daquele silêncio de dor. O médico perguntou-lhes se desejariam ficar alguns instantes com a criança. Os meus amigos ficaram de pé e caminharam resignadamente até a porta. Ao ver-me ali, aquela mãe abraçou-me e começou a chorar. Também meu amigo se refugiou em meus braços e me disse: Muito Obrigado por estares aqui!
Durante o resto da manhã fiquei sentado na sala de emergências do hospital, vendo o meu amigo e a sua esposa segurar nos braços o seu bebé, despedindo-se dele. Isso foi o mais importante que já fiz na minha vida.
Aquela experiência me deixou três lições:
Primeira: o mais importante que fiz na vida, ocorreu quando não havia absolutamente nada, nada que eu pudesse fazer. Nada daquilo que aprendi na universidade, nem nos anos em que exercia a minha profissão, nem todo o racional que utilizei para analisar a situação e decidir o que eu deveria fazer, me serviu naquelas circunstâncias: duas pessoas receberam uma desgraça e nada eu poderia fazer para remediar. A única coisa que poderia fazer era esperar e acompanhá-los. Isto era o principal.
Segunda: estou convencido que o mais importante que já fiz na minha vida esteve a ponto de não ocorrer, devido às coisas que aprendi na universidade, aos conceitos do racional que aplicava na minha vida pessoal assim como faço na profissional. Ao aprender a pensar, quase me esqueci de sentir. Hoje, não tenho dúvida alguma que devia ter subido naquele carro sem vacilar e acompanhar o meu amigo ao hospital.
Terceira: Aprendi que a vida poder mudar em cada instante. Intelectualmente todos nós sabemos disso, mas acreditamos que os infortúnios acontecem com os outros. Assim fazemos nossos planos e imaginamos nosso futuro como algo tão real como se não houvesse espaços para outras ocorrências. Mas ao acordarmos de manhã, esquecemos que perder o emprego, sofrer uma doença, ou cruzar com um motorista embriagado e outras mil coisas, podem alterar este futuro num piscar de olhos. Para alguns é necessário viver uma tragédia para recolocar as coisas em perspectiva.
Desde aquele dia encontrei um equilíbrio entre o trabalho e a minha vida. Aprendi que nenhum emprego, por mais gratificante que seja, compensa perder umas férias, romper um casamento ou passar um dia festivo longe da família. E aprendi, que o mais importante da vida não é ganhar dinheiro, nem ascender socialmente, nem receber honras.
O mais importante da vida é ter tempo para cultivar uma amizade."
(Autor desconhecido)

Autoria e outros dados (tags, etc)


Tacada no Barão da Batalha

por mascatinha, em 08.10.05
Nos dias após a amniocentese, em que tive que permanecer em repouso, pude actualizar as minhas leituras e obviamente que acabei também por ler blogs locais com teor eleitoralista. O que pensei a propósito destes não interessa, deixo isso ao critério de cada um, as palavras ficam com quem as escreve…

Todavia não pude fechar os olhos a um dos post lá contido:
Tacadas
"Golfe absorve tanta água como 60% da população", será que esta rapaziada se preocupa com isto?

In baraodabatalha.blogspot.com


Imposta esclarecer que a rapaziada são os sócios do GCA, nos quais eu me incluo, o post tinha por origem uma peça sobre o problema da seca em Portugal com chamada à primeira página, publicada no DN a 5 de Setembro.

Claro que a minha resposta tem por base um esclarecimento feito pelo CNIG (não tenho a pretensão de me considerar especialista em todos os assuntos como o senhor Pelicano).

Numa época em que tanto se fala de inovação e criatividade, de eficiência e eficácia, de tecnologia e desenvolvimento, como determinantes para o progresso económico de Portugal, paradigmas que nos farão aproximar dos níveis de vida dos restantes países da CE, a noticia apenas manifesta falta de conhecimento e total parcialidade na análise dos números. Está na moda bater no golfe. É um sindroma com que os portugueses se debatem ao longo da sua existência: quando algo corre bem ou alguém se distingue pela excelência tem que ser destroçado ou vilipendiado.

O golfe no Algarve ocupa menos de 1000 hectares de terreno. Traz ao Algarve mais de 250 mil pessoas todos os anos. Origina receitas - exportações, as tais exportações de que tanto precisamos - de mais de € 350 milhões de Euros. Vivem do golfe e à volta do golfe no Algarve cerca de 50 mil pessoas, que mantêm a região em constante movimento devido à quebra da sazonalidade do turismo.

Claro que há consumos de água para rega que são, contudo, mínimos quando comparados com os gastos numa agricultura altamente esbanjadora, pouco produtiva e muito pouco eficiente. A rega dos campos de golfe é controlada por computador, tem em conta os níveis de evapo-transpiração que medem a necessidade das plantas, é feita no período nocturno com menor consumo de energia, é dotada de tecnologia sofisticada em praticamente todos os campos de Algarve e mesmo do país. E, principalmente, é controlada e gerida por uma equipa de jovens agrónomos e ambientalistas portugueses que têm vindo a desenvolver um trabalho de grande relevo, reconhecido internacionalmente através das certificações ambientais conferidas aos Sistemas de Gestão Ambiental de inúmeros campos de golfe, denotando também neste sector uma adequação total aos desígnios apontados pelos Governos e pelos economistas mais credenciados de Portugal.

Pretender comparar o consumo de água de um campo de golfe, ou dos 31 campos de golfe do Algarve com os da população autóctone é um mero e infantil exercício de raciocínio e pour cause incompleto e desinserido da realidade.

Pretender, além do mais, comparar o consumo humano, diferenciado em “algarvios”, “turistas” e “turistas de golfe”, é de uma desonestidade intelectual que brada aos céus e que remete definitivamente para o período da pedra lascada do homo sapiens. A menos que se pretenda eliminar o turismo em Portugal porque os estrangeiros tomam mais banho que os portugueses, porque têm dinheiro para viajar e portanto são ricos, especialmente os “jogadores de golfe”, não se sabendo porquê.

Pretender ligar o GCA, a um blog onde apenas se destila má politica é lamentável!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Dia A

por mascatinha, em 02.10.05
PrenatFig4.jpg
Estou com 17 semanas e segunda-feira é o dia A. O dia de fazer a Amniocentese! Depois da certeza inicial, que com a minha idade a teria mesmo que fazer, vi as semanas passar e eu a perder a vontade.

Depois de conhecer as probabilidades todas, continuei achar que esta era a alternativa mais fiável, para saber mais sobre este bebé que trago dentro de mim!

Mais do que a picada propriamente dita, o risco de aborto é também uma realidade (1 em 250), mas a probabilidade de uma trissomia como é superior (1 em 100), achamos que devemos correr o risco. O que custará é depois aguardar pelo resultado.

Fala-se de experiências positivas e de outras que nem por isso, mas não é isso mesmo que é a vida?

Depois vos digo como foi a minha!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2008
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2007
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2006
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2005
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

subscrever feeds