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Tacada no Barão da Batalha

por mascatinha, em 08.10.05
Nos dias após a amniocentese, em que tive que permanecer em repouso, pude actualizar as minhas leituras e obviamente que acabei também por ler blogs locais com teor eleitoralista. O que pensei a propósito destes não interessa, deixo isso ao critério de cada um, as palavras ficam com quem as escreve…

Todavia não pude fechar os olhos a um dos post lá contido:
Tacadas
"Golfe absorve tanta água como 60% da população", será que esta rapaziada se preocupa com isto?

In baraodabatalha.blogspot.com


Imposta esclarecer que a rapaziada são os sócios do GCA, nos quais eu me incluo, o post tinha por origem uma peça sobre o problema da seca em Portugal com chamada à primeira página, publicada no DN a 5 de Setembro.

Claro que a minha resposta tem por base um esclarecimento feito pelo CNIG (não tenho a pretensão de me considerar especialista em todos os assuntos como o senhor Pelicano).

Numa época em que tanto se fala de inovação e criatividade, de eficiência e eficácia, de tecnologia e desenvolvimento, como determinantes para o progresso económico de Portugal, paradigmas que nos farão aproximar dos níveis de vida dos restantes países da CE, a noticia apenas manifesta falta de conhecimento e total parcialidade na análise dos números. Está na moda bater no golfe. É um sindroma com que os portugueses se debatem ao longo da sua existência: quando algo corre bem ou alguém se distingue pela excelência tem que ser destroçado ou vilipendiado.

O golfe no Algarve ocupa menos de 1000 hectares de terreno. Traz ao Algarve mais de 250 mil pessoas todos os anos. Origina receitas - exportações, as tais exportações de que tanto precisamos - de mais de € 350 milhões de Euros. Vivem do golfe e à volta do golfe no Algarve cerca de 50 mil pessoas, que mantêm a região em constante movimento devido à quebra da sazonalidade do turismo.

Claro que há consumos de água para rega que são, contudo, mínimos quando comparados com os gastos numa agricultura altamente esbanjadora, pouco produtiva e muito pouco eficiente. A rega dos campos de golfe é controlada por computador, tem em conta os níveis de evapo-transpiração que medem a necessidade das plantas, é feita no período nocturno com menor consumo de energia, é dotada de tecnologia sofisticada em praticamente todos os campos de Algarve e mesmo do país. E, principalmente, é controlada e gerida por uma equipa de jovens agrónomos e ambientalistas portugueses que têm vindo a desenvolver um trabalho de grande relevo, reconhecido internacionalmente através das certificações ambientais conferidas aos Sistemas de Gestão Ambiental de inúmeros campos de golfe, denotando também neste sector uma adequação total aos desígnios apontados pelos Governos e pelos economistas mais credenciados de Portugal.

Pretender comparar o consumo de água de um campo de golfe, ou dos 31 campos de golfe do Algarve com os da população autóctone é um mero e infantil exercício de raciocínio e pour cause incompleto e desinserido da realidade.

Pretender, além do mais, comparar o consumo humano, diferenciado em “algarvios”, “turistas” e “turistas de golfe”, é de uma desonestidade intelectual que brada aos céus e que remete definitivamente para o período da pedra lascada do homo sapiens. A menos que se pretenda eliminar o turismo em Portugal porque os estrangeiros tomam mais banho que os portugueses, porque têm dinheiro para viajar e portanto são ricos, especialmente os “jogadores de golfe”, não se sabendo porquê.

Pretender ligar o GCA, a um blog onde apenas se destila má politica é lamentável!

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4 comentários

De Amaral a 17.10.2005 às 00:58

A tacada do barão saiu-lhe pela colatra. Por duas razões: a primeira porque, tudo leva a crer, é uma tacada falsa; a segunda porque tinha à sua espera alguém atento à "pancada"… Moral da história: pode falar-se do que se sente… mas falar-se do que não se sabe, por vezes, "sai besteira"...

De mascatinha a 15.10.2005 às 23:51

O barão evaporou-se no espaço cibernético... quem não teve oportunidade de ler já não terá, mas estou certa que outros "barões" aparecerão.

De inconfidente a 11.10.2005 às 13:50

Ora aí está, bem desenvolvido e esclarecedor, para nós que não pescamos nada de golfe.

De Zuco a 11.10.2005 às 12:58

Isto que tu dizes é uma coisa muito importante. Porque uma pessoa ouve coisas, mas não está dentro dos assuntos e por isso não consegue fazer um juizo da justeza ou não de certos argumentos.
Obrigado pelo contributo!

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